O refluxo gastroesofágico é uma doença que pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Azia frequente, queimação, regurgitação e desconforto após as refeições são sintomas que muitas vezes são controlados com medicamentos e mudanças nos hábitos de vida. No entanto, para alguns pacientes, o tratamento clínico deixa de ser suficiente.
Neste caso, apresento uma paciente jovem, magra e com um longo histórico de refluxo gastroesofágico. Mesmo realizando tratamento medicamentoso por vários anos, ela continuava muito sintomática e dependente de remédios para controlar a doença. Após uma avaliação completa e a realização dos exames indicados, foi definida a necessidade do tratamento cirúrgico.
O procedimento foi realizado por videolaparoscopia, técnica minimamente invasiva que utiliza pequenas incisões e proporciona uma recuperação mais rápida.
Durante a cirurgia, identificamos uma hérnia de hiato, condição em que a abertura natural do diafragma por onde passa o esôfago encontra-se alargada. Essa alteração facilita o retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, favorecendo o aparecimento e a persistência do refluxo.
A primeira etapa do procedimento consiste em reposicionar o estômago corretamente no abdômen e fechar essa abertura com pontos, restaurando a anatomia da região.
Após a correção da hérnia de hiato, é realizada a fundoplicatura de Nissen, técnica considerada um dos tratamentos cirúrgicos mais eficazes para o refluxo gastroesofágico.
De maneira simples, utilizamos a parte superior do estômago para envolver delicadamente a porção inferior do esôfago, formando uma nova válvula antirrefluxo.
Essa válvula reforça a barreira natural entre o estômago e o esôfago. Durante a alimentação, ela funciona de forma dinâmica, impedindo que o ácido gástrico retorne para o tórax e provoque os sintomas característicos do refluxo.
Nem todo paciente com refluxo necessita de cirurgia.
O tratamento cirúrgico costuma ser indicado quando os sintomas persistem apesar do uso adequado de medicamentos, quando existe dependência contínua dos remédios para controlar a doença ou quando exames demonstram alterações anatômicas, como a hérnia de hiato, associadas ao refluxo.
A indicação sempre deve ser individualizada e baseada em uma avaliação clínica detalhada e em exames específicos.
Toda cirurgia é resultado do trabalho integrado de uma equipe altamente qualificada.
Neste procedimento, tive a satisfação de atuar ao lado do Dr. Nicolau Kruel, referência na cirurgia do aparelho digestivo, e do Dr. Tulio Garcia. A equipe contou ainda com o anestesiologista Dr. Giovanni Lox, a instrumentadora Andrea Salmentão e todos os profissionais do centro cirúrgico. O trabalho integrado de cada membro da equipe é essencial para proporcionar segurança ao paciente, precisão técnica e excelência em todas as etapas do procedimento.
Quando bem indicada, a cirurgia para refluxo proporciona excelentes resultados. Além de corrigir a hérnia de hiato, ela restaura o mecanismo natural que impede o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago, reduzindo ou eliminando os sintomas e permitindo que muitos pacientes deixem de depender do uso contínuo de medicamentos.
A cirurgia antirrefluxo é um procedimento seguro e consolidado, mas sua indicação deve ser sempre baseada em uma avaliação individualizada. Por isso, o acompanhamento com um cirurgião do aparelho digestivo é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica e oferecer ao paciente mais conforto, segurança e qualidade de vida.