O Índice de Massa Corporal (IMC) não deve ser visto como um dado isolado ou definitivo. Ao longo da vida, ele tende a se modificar conforme mudanças hormonais, estilo de vida, rotina de trabalho, envelhecimento e hábitos alimentares.

Muitas pessoas não desenvolvem obesidade de forma súbita, mas sim por meio de um ganho de peso gradual e contínuo, que passa despercebido por anos.
É comum observar um padrão que se repete em muitos pacientes:
Esse processo, muitas vezes silencioso, aumenta o risco de doenças mesmo antes de o IMC atingir valores considerados muito elevados.
O cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) é simples e pode ser feito a partir do peso e da altura:
IMC = peso (kg) ÷ altura² (m)
👉 Exemplo:
Uma pessoa com 100 kg e 1,70 m de altura:
100 ÷ (1,70 × 1,70) = 34,6
Esse valor corresponde à faixa de obesidade grau I.
Apesar de ser uma ferramenta prática e amplamente utilizada, o IMC deve sempre ser interpretado em conjunto com a avaliação médica, considerando histórico de peso, composição corporal e presença de doenças associadas.
Para facilitar esse processo, o meu site disponibiliza uma calculadora de IMC, onde qualquer pessoa pode inserir seu peso e altura e obter rapidamente o resultado.
link : https://brunoricciardi.com.br/calculadora-imc/
Essa ferramenta ajuda a ter uma noção inicial do índice, mas não substitui a avaliação médica. O IMC é um ponto de partida importante para entender a saúde metabólica e identificar o momento ideal de procurar orientação especializada.
As oscilações frequentes de peso, conhecidas como efeito sanfona, podem trazer consequências importantes:
Com o passar dos anos, o corpo passa a “defender” um peso mais alto, tornando o emagrecimento sustentado cada vez mais difícil.
Quanto maior o tempo de exposição a um IMC elevado, maior tende a ser o impacto sobre a saúde. Entre as principais consequências estão:
Não é apenas o valor atual do IMC que importa, mas há quanto tempo o organismo convive com o excesso de peso.
Em fases iniciais, mudanças de hábitos, acompanhamento nutricional e atividade física podem trazer bons resultados. No entanto, em casos de obesidade estabelecida e de longa duração, essas estratégias isoladas podem não ser suficientes para um controle efetivo do peso.
Nesses cenários, a avaliação especializada se torna essencial para entender:
A cirurgia bariátrica não deve ser vista como uma solução imediata, mas sim como uma estratégia terapêutica consolidada para o controle da obesidade a longo prazo, especialmente em pacientes com IMC elevado há muitos anos.
Quando bem indicada, ela pode:
A decisão deve sempre ser individualizada e feita em conjunto com uma equipe multidisciplinar.
Identificar o aumento progressivo do IMC e procurar orientação médica precocemente pode evitar a progressão da obesidade e suas complicações.
Quanto mais cedo o paciente entende sua trajetória de peso, maiores são as possibilidades de intervenção eficaz.
O IMC ao longo da vida conta uma história. Ele revela não apenas o peso atual, mas o caminho percorrido até ali. Compreender essa evolução é fundamental para escolher o melhor tratamento e proteger a saúde no presente e no futuro.
Bruno Ricciardi
Médico Cirurgião Bariátrico e do Aparelho Digestivo
Florianópolis – SC