A apendicite aguda é uma das emergências cirúrgicas mais frequentes em todo o mundo e pode acometer pessoas de diferentes idades. Apesar de muito conhecida, ainda existem diversas dúvidas sobre os sintomas, o momento de procurar ajuda médica e como é realizado o tratamento.
A doença acontece quando ocorre a inflamação do apêndice, um pequeno órgão tubular localizado próximo ao intestino grosso, na região inferior direita do abdômen. Embora atualmente ele não tenha uma função digestiva considerada essencial, sua inflamação pode evoluir rapidamente e causar complicações graves caso não seja tratada a tempo.
O apêndice é uma pequena estrutura ligada ao ceco, que corresponde à primeira porção do intestino grosso. Ele é considerado um remanescente embrionário da evolução humana e, apesar de possuir algumas funções relacionadas ao sistema imunológico e à flora intestinal, não é indispensável para a digestão.
A apendicite surge quando esse órgão sofre uma obstrução, que pode acontecer por resíduos alimentares, inflamações locais, aumento de tecido linfático ou outros fatores. Essa obstrução leva ao acúmulo de secreções e bactérias, provocando inflamação e infecção.
O sintoma mais clássico da apendicite aguda é a dor abdominal. Geralmente, ela começa de forma difusa na região do umbigo e, com o passar das horas, migra para o lado inferior direito do abdômen.
Além da dor, outros sintomas costumam estar associados, como:
Em muitos casos, a dor se intensifica rapidamente, dificultando caminhar, tossir ou realizar movimentos simples.
A grande preocupação com a apendicite é sua evolução rápida. Quando não tratada, a inflamação pode levar à gangrena do apêndice e posteriormente à perfuração do órgão.
Quando ocorre a perfuração, o conteúdo infeccioso pode se espalhar pela cavidade abdominal, causando uma infecção grave chamada peritonite, condição que exige tratamento imediato e pode representar risco à vida.
Por isso, qualquer dor abdominal persistente, principalmente quando inicia na região central e migra para o lado direito do abdômen, deve ser avaliada rapidamente por um médico.
O diagnóstico da apendicite é principalmente clínico, baseado na história do paciente e no exame físico realizado pelo cirurgião.
Além da avaliação médica, exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico, como:
Atualmente, a tomografia é considerada um dos exames mais precisos para confirmar a presença da apendicite, especialmente nos casos de dúvida diagnóstica.
O tratamento definitivo da apendicite aguda é cirúrgico. A cirurgia realizada para retirada do apêndice é chamada de apendicectomia.
Hoje, a maioria dos casos é tratada por laparoscopia, técnica minimamente invasiva realizada através de pequenos cortes no abdômen. Com o auxílio de uma câmera e instrumentos delicados, o cirurgião consegue remover o apêndice inflamado de forma mais segura e menos traumática.
Entre as principais vantagens da cirurgia por vídeo estão:
Além da retirada do apêndice, a laparoscopia permite avaliar toda a cavidade abdominal e realizar a limpeza adequada em casos mais avançados.
Dor abdominal nunca deve ser ignorada, especialmente quando vem acompanhada de febre, náuseas e piora progressiva.
O diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar complicações e permitir um tratamento mais rápido e seguro.
Ao apresentar sintomas sugestivos de apendicite, o ideal é procurar imediatamente um serviço de urgência ou avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo.
Dr. Bruno Ricciardi
Cirurgião do Aparelho Digestivo e Cirurgião Bariátrico
Florianópolis – SC