Dr. Bruno Ricciardi
Cirurgião Bariátrico e Cirurgião do Aparelho Digestivo – Florianópolis/SC
As doenças da vesícula biliar estão entre as causas mais comuns de consultas em consultórios de cirurgia do aparelho digestivo. Muitas pessoas convivem com cálculos biliares ou pólipos na vesícula sem saber exatamente quando a cirurgia é necessária, quais são os riscos e como o procedimento é realizado.
Neste artigo, explico de forma clara e objetiva o que é a vesícula biliar, por que surgem as pedras, quando a cirurgia é indicada e como é feita a retirada da vesícula atualmente.
A vesícula biliar é um pequeno órgão localizado logo abaixo do fígado. Ela funciona como um reservatório de bile, substância produzida pelo fígado e essencial para a digestão, especialmente das gorduras.
Durante o jejum, a bile fica armazenada na vesícula. Quando a pessoa se alimenta, hormônios estimulam a contração da vesícula, liberando a bile no intestino para auxiliar no processo digestivo.
Em alguns pacientes, a vesícula passa a absorver água em excesso, tornando a bile mais concentrada. Esse processo favorece a cristalização dos seus componentes, formando os chamados cálculos biliares.
Com o tempo, esses cristais se agrupam e formam as pedras. A partir do momento em que o cálculo se forma, a vesícula já é considerada um órgão doente.
A presença de cálculos biliares pode causar complicações importantes, como:
Um ponto importante é que o canal da bile passa pelo interior do pâncreas. Quando um cálculo migra para essa região, pode desencadear uma pancreatite, uma doença potencialmente grave.
Atualmente, não existe medicação eficaz capaz de dissolver ou eliminar os cálculos biliares de forma definitiva. O tratamento indicado é a remoção cirúrgica da vesícula, chamada colecistectomia.
Hoje, a retirada da vesícula é realizada, na maioria dos casos, por técnicas minimamente invasivas, principalmente a cirurgia laparoscópica.
A colecistectomia laparoscópica é feita por pequenos cortes no abdômen, por onde são introduzidas uma câmera e pinças especiais. Em alguns casos, o procedimento pode ser realizado com auxílio da cirurgia robótica.
Quando realizada por equipes experientes e em centros especializados, a cirurgia da vesícula apresenta riscos muito baixos.
As principais complicações possíveis incluem sangramento ou lesão do canal da bile. A taxa estimada dessas complicações é de aproximadamente 0,2%, ou seja, cerca de 2 em cada 1.000 pacientes.
Em comparação, o risco de manter pedras ou pólipos na vesícula ultrapassa 1% ao ano, sendo significativamente maior do que o risco cirúrgico.
Os pólipos da vesícula são pequenas lesões que se formam na sua parede. Dependendo do tamanho e do perfil do paciente, podem evoluir para câncer da vesícula, uma doença rara, porém extremamente agressiva.
A cirurgia é indicada principalmente quando:
A retirada da vesícula nesses casos é uma forma eficaz de prevenção.
De forma geral, o risco de conviver com a doença é de 5 a 10 vezes maior do que o risco da cirurgia. Quando bem indicada, a colecistectomia é um procedimento seguro, definitivo e preventivo.
Pedras e pólipos na vesícula não devem ser subestimados. A avaliação com um cirurgião do aparelho digestivo é fundamental para definir o melhor momento da cirurgia e evitar complicações futuras.
Dr. Bruno Ricciardi
Cirurgião Bariátrico e Cirurgião do Aparelho Digestivo
Florianópolis – Santa Catarina